Esperando Godot com chimas

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Esperando Godot - Teatro do Desequilíbrio

Sábado passado aceitei um convite para assistir uma peça no teatro da UBRO. Estava bastante ansiosa quanto à montagem, afinal, tratava-se de uma peça que eu havia lido recentemente, e que teria surgido em minha mão como um possível trabalho de cenografia para o Nimbu (em outra montagem, talvez para o fim do ano). Caderninho na mão, olhar atento a tudo e a todos, cheguei no teatro ligadona do chimarrão que fui tomando no Idu (fusca do namorido) e fui tomando nota de tudo.

A peça era Esperando Godot, do Beckett – diga-se de passagem, uma baita! Quem não leu, procure que vale muito a pena – e foi encenada por um grupo chamado Teatro do Desequilíbrio (que eu ainda não conhecia). Já de cara, curti a música que escolheram pra criar um clima na entrada. Uma composição de vários violoncelos, coisa linda – pena que ninguém deu créditos pro compositor, fato que, logicamente, indignou meu querido namorado violoncelista na saída.

A montagem adotou uma estética bem urbana, coisa que achei bacana. No cenário, pilhas de jornais, bicicleta, rádio, sofá, bagunça… Esperar Godot na periferia de São Paulo? Curti a ideia. Uma sacada genial: a árvore, companheira de Vladimir e Estragon (dois vagabundos que esperam por um certo senhor Godot que nunca chega) foi substituída por um luminoso com o símbolo da Texaco: bravo!

Confesso que achei o cenário um pouco exagerado, coisa demais, bagunça mesmo, mas ainda coerente com a proposta. O figurino é que eu não entendi. Os chapéus (cada personagem usa um chapéu e eles são fundamentais para o desenrolar da peça) tinham coisas coladas que eu nem consegui identificar. Esse é um errinho clássico no teatro: a gente cansa de ver peças em que os caras bolaram figurino ou cenário super detalhado que ninguém consegue perceber pela distância cadeira x palco. Bem, se tinha algum significado importante naquelas coisaradas grudadas nos chapéus, a tia Ceci aqui não sacou qual era. Achei mesmo que ficaram meio feinhos e só.

Já uma ideia eu adorei: vez em quando um som de trem invadia o palco, reforçando a ideia de um moquifo na periferia– fiquei feliz de saber pela amiga que me fez o convite que esses sons do trem estavam surgindo aleatoriamente, que os atores não sabiam em que momentos eles surgiriam e que tal elemento foi introduzido para “quebrar o clima” até mesmo pros atores – porque, gente, essa peça é difícil de encenar.

Vou tentar não comentar muito as atuações, não porque eu acho que o sapateiro tem que se limitar à sandália, mas porque creio que esse grupo seja novo e tem bastante pra aprender. Curti bastante a única mulher da peça, que interpretou o Pozzo superbem. A cena do Lucky pensando foi ótima também.

Agora, por favor… Pecaram na lua, modeus! A lua é um elemento superimportante na peça. O cair da noite deveria cair como um grande peso sobre os personagens. É a concretização do fim de mais um dia: mais um em que Godot (ou o que quer seja a materialização da esperança) não aparece. E esse povo me faz uma lua branca, sem graça, projetada na parede do fundo, no cantinho, sem ninguém conseguir perceber direito quando ela vem ou vai?? Ai, ai, ai!!! Tudo bem que de dentro de um moquifo na periferia ninguém vê a lua direito, mas isso não me pareceu proposital.

Bem, também… Vou dizer pra vocês que se essa peça teve um cenógrafo, ele também não recebeu créditos (olha o nosso futuro aí, gente!). Acho que talvez tenha sido o Gil Guzzo (produtor) quem bolou (perdão se não foi assim). Sabe como é, né… Nesse Brasil bão de meu deus, ator faz cenário, direção, vende ingresso na porta e sai correndo pra trocar o figurino e entrar no palco na hora certa.

Povo, era isso por hoje, espero conseguir assistir bastante coisa do Palco Giratório que tá pra rolar (de 01 a 30 de setembro) e contar aqui pr’ocês.

Ceci.

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