
Gostaria de apresentar para vocês um projeto que fizemos em 2007, na época todos estudantes de Arquitetura e Urbanismo na UFSC ansiosos por participar de um concurso como o da Bienal internacional de Arquitetura.
Talvez esteja aí a origem do grupo Nimbu, ou pelo menos foi o primeiro momento em que a maioria de nós teve a oportunidade de trabalhar juntos, em uma colaboração que a meu ver teve muito sucesso, tanto pelo resultado alcançado quanto pelo processo criativo desenvolvido no decorrer dos 2 meses de construção do trabalho. E além disso, o trabalho representa muito da nossa forma de encarar a arquitetura e a cidade e de nos posicionar-mos frente ao mundo e à profissão de arquitetos e urbanistas.
O “DIFUSOR DE DESEJOS: experiência sobre corpo ciborgue” recebeu menção especial no concurso de escolas de arquitetura da 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo cujo tema era “O público e o privado” e foi exposto juntamente com mais 31 trabalhos no pavilhão da Bienal, no Ibirapuera.

Trabalho em exposição
Cidade. Massa híbrida de sonhos, matéria, memória.
Ilha-corpo em constante mutação.
Mora no cerne da mais privada instância. Cada um.
Nós de encontro. Fluxos de corpos e idéias.
Cidade. Abrigo público. Saiu voando.
Hoje flutua entre invisíveis e concretos.O que queremos dela?
Sê-la.
Corpo mutilado. Protético. Cidade-ciborgue sem tempo.
Sem memória, sem porvires.
Somente desejos privados, desconectados da rede, que ainda é de poucos.
Participação fictícia, em planos “receita de bolo”.
Multidão consumida pela rotina, descrédito do que é público. Cada umbigo no seu.”
(Trecho do trabalho)

Processo - várias mãos

Processo - várias partes

Processo - Maquete
O trabalho apresenta uma visão alternativa sobre a cidade (Florianópolis), encarando-a como um corpo que sofre modificações em sua constituição. Essas modificações apresentam-se como mutilações, próteses e deslocamentos. E como em um corpo vivo, um corpo humano que se tatua ou do qual se retiram e adicionam partes, tudo isso é o resultado de um desejo. Esse desejo apresenta-se muitas vezes como a vontade pelo progresso, bem estar e outras tantas vontades privadas sob a égide de um desenvolvimento social e coletivo. Nesse sentido o verdadeiro produto desse trabalho é a maquete apresentada no concurso. Foi construída em alumínio e retrata a ilha de Santa Catarina cortada em pedaços móveis sobre uma base de madeira (1,5mx1,5m).

Maquete fechada
A cada movimento das peças metálicas livres tem-se uma nova cidade, uma nova organização, um organismo híbrido, entre o natural e o totalmente artificial. Ao deslocar-se uma das peças, pode-se por exemplo conceber uma realidade em que o centro da cidade não está mais no lugar onde “deveria” ou a praia mais procurada pela juventude está em um local totalmente diverso, ou simplesmente não está. É a vontade alheia que se manifesta sobre essa cidade que é um bem coletivo, “uma rede pública de nós privados”.

Prancha 1

Prancha 2

Prancha 3

Prancha 4

Prancha 5

Prancha 6

Prancha 7

Prancha 8
Equipe: Cecília Kleine; Diego Fagundes; Erica Mattos; Kendra Neumann; Maísa Moraes; Pedro Tomás; Roberta Ghizoni; Romullo Baratto.
Orientador: Professor Alcimir De Paris

Parte da equipe
Diego.
