“Jazz, choro, baião, tango, rock, pitadas de suítes de Bach”: assim nos referimos ao show de Fred Malverde – músico mineiro -, que ajudamos a preparar no Espaço Sol da Terra em outubro do ano passado.
O vídeo abaixo mostra a primeira música do show – Bicho de Sete Cabeças, de Geraldo Azevedo -, cheia de improvisos, algo bem característico na música de Fred.
Foi uma experiência muito bacana trabalhar com a riqueza musical que esse grande músico traz na bagagem, algo bastante inspirador para o Nimbu, já que esse estúdio aposta na diversidade como fonte criadora.
A proposta de trabalhar a “linguagem de espetáculo” é algo que nasceu com o Nimbu. Com a vontade de unir nossos conhecimentos em comunicação, arquitetura e novas tecnologias.
Neste projeto de Fred, tivemos a oportunidade de trabalhar a conceituação do espetáculo e a partir dela, realizar toda a sua comunicação, incluindo material de divulgação, produção, iluminação e cenografia.
Uma boa fonte de inspiração para nós foi trabalho do artista plástico Arman. Violoncelos fatiados, fragmentados: símbolos desse momento da carreira de Fred, que enfrenta os paradigmas da dicotomia “erudito x popular”. Fred quer quebrar essas barreiras, freqüentemente impostas a quem toca instrumentos como o violoncelo e que só limitam as possibilidades de enriquecimento da arte.
Muitas idéias legais de cenografia nasceram desse trabalho. Esse é um dos lados bons de trabalhar com criação, a gente vai criando um “banco de dados” de coisas quer não couberam no momento, mas que depois se transformam e podem ser adaptadas para outras realidades. Bonecos, objetos, jogos de luz e sombra: queríamos expor o ator que Fred tem latente, afinal, ele não é só bom violoncelista, é contador de histórias, imitador, alguém com votade de misturar sua música ao cotidiano e a outras linguagens artísticas.
Nesse primeiro show, no Sol da Terra, acabou-se optando por uma instalação cenográfica bem simples pois Fred já tinha essa data agendada, viculada a uma oficina que ele ministrou na 5a Mostra Multicultural e não tínhamos muito tempo.
Uma luminária, uma cadeira e jogos de iluminação criaram diferentes climas para cada performance do músico, mas muito material do nosso processo de criação encontra-se em digestão. Fred queria alguém que desse um impulso na criação desse show, que acabou recebendo o nome de “Entre mundos” e que, ainda promete muita coisa boa para os palcos de Santa Catarina.
No momento, estamos finalizando mais um trabalho que Fred nos encomendou. Um portifólio digital e impresso, contendo biografia, trajetória musical e descrição do show para divulgação do mesmo.
Algumas pessoas têm nos procurado para trabalhos semelhantes e esperamos cada vez mais poder trabalhar com teatro, música, performance e outras linguagens que nos interessam bastante.
Ceci.
