Em meio a preparativos para o mestrado, retomada de leituras há muito esquecidas – desde a época do tcc, que hoje parece tão distante – me deparei com esse trabalho do fotógrafo canadense Scott Conarroe em relação a um texto que eu estava lendo no momento, chamado Event Cities: architecture as performance.
A arquitetura é como uma rede de relacionamentos, apreciada, vivenciada e compreendida, apenas através do transitar imerso em sua materialidade. Dessa forma a impressão é fixada e imediatamente transformada a cada passo, a cada passeio, enquanto nos movemos através do espaço e do tempo.
A cidade é imersiva em sua própria natureza.
É precisamente aí que o trabalho de Conarroe pode ser inserido, nesse transitar captando imagens fixando tempos e desdobrando cenas em que somos atores prestes a subir ao palco.
Essa série de imagens de Conarroe mostra a cidade portuária de Halifax em 2004, sua aparente inatividade contradizendo sua abordagem em time lapse. As fotos representam a acumulação sutil da mudança de luz em uma posição fixa – Com tempo de exposição variando de 2 minutos a 1 hora. As ruas abandonadas e calçadas, juntamente com a profundidade do espaço e indicadores imediatos de escala, como bancos, hidrantes e sinais de trânsito, convidam-nos para adentrá-las….
As imagens em visão distanciada apresentam pontos de vista encenados ao longo do tempo. São locais que determinam a performance dos corpos tão dependente da arquitetura e de sua função na encenação dos nossos dramas públicos e privados.
Quase se pode sentir…
Estas imagens foram retiradas de Scot Conaroe website
Diego.
