Presenças Residuais

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TIPO: Projeto de intervenção
ANO: 2010
LOCAL: Centro da Cidade – Florianópolis/SC
EQUIPE: Diego Fagundes
FOTOS: Erica Mattos
COLABORAÇÃO: Erica Mattos, Cecília Kleine, Arthur Grimm, Paula Franchi e Guilherme Grad

Uma ação que permeia o campo de estudo do espaço urbano na relação público-privado. Considerando o espaço urbano uma rede de fluxos de pessoas e objeto de apropriação de diversos grupos/indivíduos com diferentes óticas, o caráter público/privado torna-se fluido e constantemente em mutação. As variadas atividades demandam acordos sociais entre grupos/pessoas que vivem realidades diferentes na disputa pelo espaço urbano e nesse processo deixam marcas, como que sinais de passagem, ou vincos de repetição.

Os choques entre realidades deixam impressões perceptíveis, mas de certa maneira (propositalmente, talvez) ainda um tanto rarefeitas, residuais, ainda que de possível mapeamento. Por convenção, esses sinais serão chamados aqui de “presenças residuais”, apresentando-se principalmente na imagem mental que fazemos da cidade que vivenciamos. As presenças residuais surgem no caminhar pela cidade, no que o filósofo Plotino classificaria como assumir o movimento da alma, “com um olhar sensível como a luz, captando imagens [sons e cheiros]”. Essa experiência propõe mapear algumas presenças residuais encontradas no cenário urbano da região do centro histórico de Florianópolis, integrantes do cotidiano da cidade e constituintes dos cenários onde a vida urbana é encenada. A partir desse ensaio busca-se gerar uma reflexão sobre as presenças e, principalmente, as ausências, ou mesmo o próximo e o distante, o nativo e o estrangeiro, ou ainda a reciprocidade da ausência, ou mesmo todas essas dimensões, a redescoberta de algo familiar previamente reprimido, a inquietante presença de uma ausência definida por Freud.

Ao mapeamento segue a ação. A reprodução em tamanho natural dessas presenças residuais e sua fixação na pele da cidade, como sombras inertes, testemunhos daquilo que aconteceu e continua a acontecer, eis o encerramento e conclusão desse experimento.
(DESVÃOS, 2010 pp. 33)

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